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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Localização II

Estava lembrando do primeiro post sobre localização. Apesar de não gostar muito quando usam isso para deixar o texto traduzido mais perto da cultura local, existem sim, situações onde modificações são necessárias.

Por exemplo, já mencionei no post de erros de tradução esse, mas a Ford precisou renomear seu carro para o lançamento no Brasil. Nos EUA se chamava Ford Pinto, aqui ficou Corcel. 

Outro caso similar, a Rolls-Royce mudou o nome de seu carro Silver Mist para Silver Shadow na Alemanha, aparentemente a palavra "Mist" significa "esterco" em alemão.

Assim, existem casos que localização são importantes e necessárias. Eu só não gosto de ver isso quando é simplesmente porque seja algo que não é da cultura local. Como fazer a localização dos livros de Harry Potter do inglês britânico para o inglês americano porque os americanos poderiam não reconhecer alguns termos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Críticas de Tradução

Uma coisa da qual sempre tive consciência é que em qualquer ramo profissional seu trabalho está sempre sendo julgado pelas pessoas. Com quase 100% de certeza, colegas de profissão serão capazes de encontrar erros em seu trabalho que você nem tinha reparado e que geralmente o publico em geral também não consegue enxergar.

Um exemplo, há algum tempo atrás estava criando um nível de jogo e tive um problema sério quando fui adicionar uma escada ao nível. O personagem não conseguia subir os degraus, ou subia aos solavancos. Quebrei a cabeça até achar uma solução tosca: colocar uma rampa e pintar ela como se fosse uma escada. Parte de mim até se sentiu envergonhada por uma solução assim, e continuei tentado resolver o problema. Alguns dias depois estava jogando um outro jogo que tinha acabado de ser lançado, feito por um estúdio grande e que estava fazendo sucesso mundo afora. Não é que em um momento da fase me deparei com uma rampa pintada de escada!! Nessa hora que entendi que as vezes temos que aceitar algumas coisas em nosso trabalho que muitos colegas irão descobrir e criticar, mas que o publico geral ou não será capaz de enxergar ou não se importará. Afinal, no fim das contas, que diferença fez a tal escada (que seria vista no jogo por um total de 7 a 10 segundos) era uma rampa pintada ou escada de verdade?

Mas o que tudo isso tem a ver com tradução? Esse assunto veio a minha mente pois estou lendo um livro que foi traduzido duas vezes, do idioma original para francês e finalmente para o português. Agora, tradução literária é uma das mais difíceis, em minha opinião, pelo tamanho do trabalho. Um livro tem algo em torno de 90.000 a 150.000 palavras. Cometer um erro em uma ou outra é inevitável. E como disse, a maior parte das pessoas nem vai perceber.

Por mais que tento ser compreensivo algumas coisas realmente travam a leitura e me tiram do ritmo da narrativa, ainda mais por saber um mínimo de francês algumas coisas não deveriam ter passado na correção de forma alguma. Como traduzir "Celibataire" como "celibatário" ao invés de "solteiro", que na minha opinião foi um crime, pois isso foi algo que aprendi no primeiro semestre de francês.

Por outro lado como disse, isso é algo que consigo ver por também ser tradutor. Não sei até que ponto outras pessoas teriam visto isso.

E quanto a vocês? Alguma vez já encontraram textos traduzidos que fizeram com que pensassem "tem algo estranho aqui, entendi o que quis dizer, mas ficou estranho."?


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Traduções e Localização

Antes de mais nada gostaria de dizer que esse post contém apenas a minha opinião pessoal e definitivamente não quero dizer o que é certo ou errado em traduções. Afinal existem argumentos lógicos para defender os dois lados.

Hoje vou falar um pouco de localização, especificamente de textos literários. Estou lendo um livro que foi traduzido do original. Normalmente eu não gosto de ler traduções, preferindo ir atrás do texto original. Mas infelizmente para as línguas que não consigo ler (russo, norueguês, alemão, e todas as sem número que existem fora o português, inglês e francês) eu preciso recorrer a traduções.

Uma coisa que me incomoda é a tal da localização, quando o tradutor transforma o texto colocando o equivalente da língua alvo. Por exemplo, em um conto britânico o autor pode mencionar que algo é um prato tão típico quanto o "fish & chips". Nesse caso o tradutor tem uma escolha (amparada por extensa literatura), pode traduzir a passagem mantendo o literal "peixe com fritas", ou pode mudar para um equivalente na cultura local, "feijoada" por exemplo.

O argumento aqui é que torna o texto mais fácil de ser entendido e mais próximo da cultura local. Eu sou contra a maior parte de localizações exatamente por ser distante da cultura local. Acredito que um texto está inserido na cultura local e na maior parte dos casos carrega parte dela consigo. Não concordo em retirar isso e inserir um equivalente local. Se a pessoa não entende o texto ela deveria ir atrás de um dicionário ou wikipedia e procurar o significado e aprender algo sobre a cultura do texto original.

Claro que existem argumentos suportando o outro lado, por exemplo quando é mais importante que a mensagem seja compreendida do que um elemento em particular, como o caso da bíblia traduzida para o idioma dos esquimós, onde trocaram o animal cordeiro pela foca.

E o que vocês preferem? Manter um termo original ou achar um equivalente local para um texto literário?

Outra hora discutirei traduções de nomes.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Erros de tradução

Semana passada estive ausente e não pude postar nesse espaço. Muitos problemas e correrias, então gostaria que esse post tivesse um tom mais divertido. Muita gente já deve ter visto erros de tradução em vários meios (especialmente se você costuma usar legendas de séries que foram feitas pelos fãs durante a madrugada).

Seguem alguns erros e histórias engraçadas de tradução ao redor do mundo. Foram selecionados dos seguintes sites
- http://www.ojohaven.com/fun/translation.funnies.html
- http://www.clickz.com/clickz/column/2036234/marketing-translation-mistakes-learn

1- A compania Gerber mantinha uma imagem de um bebê sorridente nas jarras e embalagens quando entraram no mercado africano. Somente algum tempo depois descobriram que devido a baixa taxa de alfabetização africana, muitas companias usavam fotos nas embalagens para comunicar o seu conteúdo.

2- A Pepsi na China traduziu seu slogan, "Pepsi Brings You Back to Life". O slogan em chinês significa literalmente "Pepsi Traz Seus Ancestrais de Volta do Túmulo".

3- Essa é do Brasil. A Ford teve um problema quando tentou vender seu carro que lá fora se chama Pinto. Depois de descobrir o caso tiraram todas as placas de nome e mudaram o nome do carro para Corcel.

Esses são só alguns. Outro dia pesquisarei mais.

Na página do facebook vou adicionar algumas fotos que achei no site http://www.engrish.com

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Perseverança ou Teimosia Pura


Como mencionei no último post, gostaria de falar um pouco sobre essa qualidade necessária para alguém que tenta ganhar a vida como freelancer.

Uma busca rápida em um dicionário online (http://www.dicio.com.br/) nos dá que uma definição da palavra é: “s.f. Qualidade ou ato do que persevera; persistência. Que insiste até alcançar.”

E sim, também não gosto quando as pessoas começam com definições de dicionários, mas prometo que não farei isso muitas vezes.

Mas voltando ao assunto, acho que já mencionei que acredito ser muito mais difícil trabalhar como freelancer do que como empregado. Como empregado você tem limites, talvez um chefe chato, um trabalho difícil e colegas terríveis, entretanto você (pelo menos em teoria) tem garantido um salário uma vez por mês, independente do cliente da empresa gostar ou não do seu trabalho.

Agora como freelancers levamos um tempo para conseguir uma carteira de clientes e reconhecimento suficiente na praça para que possamos realmente viver disso. Nesse período sombrio temos que insistir e não desistir. As vezes apelando para a teimosia pura e simples quando somos confrontados por alguém perguntando porque ainda insistimos nisso. É essa perseverança que nos permite olhar para a pessoa e falar que você está fazendo o que quer e que os outros cuidem de suas próprias vidas.

Sempre fui defensor do autoconhecimento e auto avaliação com relação as próprias qualidades da pessoa. Um bom profissional de qualquer área tem que saber exatamente o que ele sabe fazer, saber o que consegue fazer facilmente, o que vai precisar pesquisar e o que não consegue fazer. O mais difícil é dosar as tendências naturais de ou se subestimar ou de se superestimar. Mas isso é conversa para outra hora.

Mas quando digo perseverança e teimosia quero dizer para não desistir, não estou dizendo para insistir até acabar na rua. Tanto a perseverança e teimosia tem que ser dosadas, pois como tudo no mundo em excesso pode ser ruim. O importante é chegar lá, mesmo que para isso seja necessário dar uma volta maior. Não é vergonhoso ou errado você fazer uma retirada estratégica e conseguir um emprego fixo que garanta uma estabilidade ou um mínimo de sobrevivência até que as coisas engatem. O errado é desistir e ficar o resto da vida reclamando que não conseguiu por um motivo ou outro.

A perseverança é o que nos faz voltar e insistir no que sabemos ser o que queremos. Eu tenho total intenção de continuar sendo um tradutor freelancer, mas por outro lado como todo bom freelancer, sei que preciso sobreviver, me adaptar e sempre (mas sempre mesmo) ficar de olho aberto para qualquer oportunidade que possa surgir (não que você precise agarrar todas as oportunidades, mas pelo menos têm que saber quais estão disponíveis).

O principal, de todas essas voltas que dei, é continuar tentando. Mesmo que precise parar por um tempo por um motivo ou outro, não desistir e sempre insistir. Talvez tudo que seja necessário é uma retirada estratégica para se reagrupar e se preparar melhor para investir de novo. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Visibilidade e Paciência


Refletindo sobre o último post, estava pensando que visibilidade e paciência são duas coisas essenciais para o profissional freelancer.

A princípio pode ser batido e óbvio de se pensar que para se conseguir trabalho as pessoas tem que saber que você existe. Então visibilidade é muito importante. Perfis de facebook, blogs (hehe), e-mails corporativos para onde pode mandar seu currículo e jornais de associações são todos fontes boas de visibilidade. Você deve ir atrás de quem pode precisar contratar seus serviços, então buscar entrar em contato com essas pessoas e fazer com que eles saibam que você exista. De forma profissional, claro, nada de ficar mandando 15 e-mails perguntando se leram seu currículo.

E a paciência? Acredito ser essencial também, principalmente no começo de carreira quando a visibilidade é lenta.

Dos dois acho que a paciência é a mais difícil de se ter, visibilidade é espalhar o currículo e portfolio e cartões pelo mundo e internet. O difícil é acordar no dia seguinte e ver que não apareceu nenhuma oferta de trabalho, e no dia seguinte, e no dia seguinte, e no dia seguinte... Só checando os e-mails, verificando se enviou tudo para o endereço certo... Por isso a paciência é tão importante.

Já vi muitos comentários de tradutores e artistas de que enviaram currículos para empresas e não houve resposta. Nessa hora tem que ter paciência, não esquecer o que fez, mas continuar fazendo... Sempre tem mais um para enviar currículo testes. Eventualmente alguém que precisa do seu serviço vai achar você... Claro que nessa hora provavelmente vão acontecer duas coisas, primeiro o cliente vai querer pagar uma miséria e segundo vão aparecer mais serviços do que você consegue atender mesmo se ficar acordado 24h por dia durante um mês inteiro. Mas isso também faz parte...

Gostaria de aproveitar e indicar dois sites
www.odesk.com

Os dois são sites sérios e reúnem freelancers e pessoas querendo contrata-los do mundo inteiro. Entretanto um aviso, nesses sites existem muita gente que cobra uma miséria e gente que está acostumada a pagar uma miséria, então é comum você achar uma proposta de trabalho legal, mas que chove gente cobrando USD 2,00 por hora de trabalho. A dica é continuar insistindo, tomar cuidado para não entrar em fria e se acontecer de alguém dar o serviço para quem cobra isso lembrar que a pessoa está muito provavelmente recebendo pelo que pagou e possivelmente deve retornar procurando alguém melhor.

Além disso existem pessoas que estão dispostas a pagar por qualidade, até por terem se queimado da primeira vez. Então peneirando e dando tempo ao tempo você provavelmente achará algo... Talvez da próxima vez escreva sobre perseverança ou teimosia pura...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Descontos


Recentemente encontrei esse post:
E também
do excelente blog http://www.tradutorprofissional.dreamhosters.com/ que vale uma visita não só de tradutores, mas de freelancers em geral.

E tendo em vista algumas situações recentes com clientes, posso ver que essa é a situação do mercado. Por um lado eu tenho uma segurança para responder para meus clientes de traduções juramentas, afinal o preço é tabelado. Mas para as traduções livres e no caso de minha esposa que é ilustradora temos nos deparado sempre com os pedidos de descontos e sempre pedimos a opinião um do outro antes de aceitar ou recusar o serviço.

Mas é assim que as coisas são e o que podemos fazer, correto?

Em termos, eu acredito que todos devemos  ter uma boa noção de nosso trabalho, isso inclui a qualidade do mesmo, o preço a ser cobrado, o tempo que leva para terminar, quanto tempo teremos para dedicar a um trabalho em particular e até onde estamos dispostos a ceder para conseguir um trabalho.

Acho que uma das coisas mais difíceis para um freelancer dizer é “não”. Querendo ou não as contas da casa continuam vencendo no mesmo dia e todos precisamos comer. Isso provavelmente leva muitos a aceitar serviços por menos que deveriam, ou aceitar prazos que são impossíveis, ou a possibilidade de dezenas de modificações no trabalho. Tudo para garantir que o cliente queira trabalhar conosco.

Por outro lado, se a pessoa conhece suas capacidades e seu trabalho, como disse antes, fica mais fácil dizer não, ou pelo menos evitar a maior parte das armadilhas. Se está com muito trabalho e o cliente pede desconto, fica fácil recusar. Se precisar de trabalho, mas o cliente diz que precisa que seja traduzido 50 páginas de texto (que geralmente só serão enviadas depois que concordar com o prazo) em 24 horas, fica mais fácil pedir para ele procurar o Jack Bauer então.

A negociação existe e sempre vai existir. O cliente tem o direito de pedir descontos, entretanto também temos o direito de dizer não a esses descontos ou dizer que no prazo dado você não conseguirá fazer o serviço ou no caso de minha esposa dizer que o orçamento inclui apenas um certo número de alterações. Mas isso são coisas que vamos aprendendo conforme vamos trabalhando e passando por essas situações.

Agora temos que tomar muito cuidado com descontos, dar descontos é a coisa mais fácil do mundo. Entretanto subir o preço depois será quase impossível. Por isso sempre digo para pensar muito bem antes de dar um desconto para um cliente. Mesmo porque para muitos o pedido é automático e se receberem um não ainda irão pedir o serviço. Pelo menos essa é minha opinião.